Um estudo de 2016 comprovou o que toda mãe sabe... nossa capacidade cerebral sofre mudanças na gravidez. 

As novas mães atem uma redução no volume de massa cinzenta no cérebro. Isso mesmo! E você achava que era só você que teve esse probleminha? Acho que não!
Qualquer pai ou mãe, principalmente, vai te dizer que uma vez que você tenha filhos nada será como antes. Isso inclui o cérebro das mães. 
Em um artigo publicado na revista Nature Neuroscience, um time liderado por Elseline Hoekzema, da Universitat Autonoma de Barcelona, na Espanha, descreve, pela primeira vez, como a gravidez afeta o cérebro materno, de um modo que continua por um bom tempo depois do nascimento do filho.
A equipe escaneou em detalhes os cérebros de 65 voluntárias, nenhuma havia estado grávida antes, mas esperavam engravidar em um futuro próximo e 20 que não tinham tal vontade. Depois de 15 meses, tempo no qual 25 voluntárias já haviam tido os bebês, a equipe repetiu o processo do escaneamento.

Comparando os resultados, ficou demonstrado que houve redução significativa no volume de massa cinzenta nos cérebros das novas mães (detalhe técnico: a massa cinzenta contém as partes principais das células nervosas e a massa branca , o outro componente do cérebro, contém, em sua maioria, fibras nervosas que conectam as células). O efeito foi tão confiável que poderia ser usado para prever, com perfeita acuracidade, quais mulheres estiveram grávidas e quais não. E foi também persistente. Quando a equipe testou novamente as mães dois anos depois, a maioria das alterações ainda estava presente.
A Dra. Hoekzema e seus colegas suspeitaram que algo no processo biológico da gravidez causava as mudanças. Para verificação e comprovar que a experiencia de se preparar para a maternidade não era a única culpada, eles compararam os cérebros das mulheres com alguns cérebros de homens – pais e alguns sem filhos. Os cérebros masculinos, como o das mulheres sem filhos,  não mostraram padrões de mudanças. E os resultados ainda se assemelham a estudos feitos em outros animais. Ratos com filhotes, por exemplo, evidenciam alterações notáveis e persistentes na estrutura do cérebro. Também tendem a ser menos ansiosos e ter uma melhor capacidade de lidar com o stress. Mais ainda: têm memória melhor que ratos sem filhotes.

A gravidez, então, realmente faz coisas no cérebro das mulheres. Mas o que exatamente ainda é difícil explicar. Os neurocientistas não entendem totalmente como o cérebro funciona e isso torna mais difícil prever como a mudança na estrutura desse órgão pode alterar a maneira como ele funciona.
Algumas das alterações foram no hipocampo, um par de pequenas estruturas com formato de banana que fica lá no fundo do cérebro, uma em cada hemisfério e são conhecidas como muito importantes na formação das memórias. Ao administrar alguns testes cognitivos às novas mães – incluindo testes de memória – não resultaram em mudanças óbvias na performance. E o hipocampo havia sido parcialmente reconstruído em dois anos. Mas a Dra. Hoekzema e sua equipe comprovaram que a redução mais permanente da massa cinzenta ocorreu através de partes do cérebro que, em outros experimentos, foram associados ao processo de informação social, e razoavelmente nos estados mentais das pessoas.

Isso faria sentido de um ponto de vista evolucionário. Bebês humanos são inaptos e necessitam das mães o tempo todo. O ato de reescrever, voltar, também afeta como a mulher se relaciona com seus filhos. Depois que as mulheres do estudo tiveram seus filhos, a equipe de pesquisa administrou testes psicológicos padrão para mensurar o quão conectadas estavam as mães aos bebês. Aquelas com maiores reduções no volume de massa cinzenta estava, em sua maioria, com as ligações mais fortes.

Ligações eficientes
Atribuir tudo isso à redução de volume da massa cinzenta, ao invés de um aumento, parece não ser nada intuitivo. Mas a equipe admite que é provavelmente a evidência de um processo chamado “synaptic pruning” algo como poda de sinapses, onde conexões pouco usadas entre os neurônios definham e as mais usadas tornam-se mais fortes. Desse modo, fazendo o sistema neural mais eficiente, e não o contrário. Ela ainda mostra que o aumento de hormônios que as pessoas têm durante a adolescência é capaz de causar uma grande mudança nas sinapses, moldando, assim, o cérebro de uma criança para o cérebro de um adulto. É razoável, então, admitir que com um aumento, uma maior descarga hormonal durante a gravidez, o efeito seria o mesmo. Quando falamos de cérebro, o maior não é necessariamente o melhor.

Fonte: The Economist
Tradução livre

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