Oi gente! Outro dia fomos ao Shopping jantar (sim, eu não faço janta todos os dias) e vi uma família pai, mãe, uma bebê no carrinho e outra menina que devia ter a idade de Alice. Pois bem... o pai ia na frente empurrando o carrinho da bebê que estava aos berros. A mãe logo atrás puxando a outra menina. Instintivamente, olhei para o relógio no celular. Eram 9 da noite. Comentei com meu marido que o prazo de validade da bebê já devia ter vencido e ela devia estar caindo e chorando de sono. Literalmente. Ele concordou e começamos a falar disso.
É incrível como nos transformamos depois da maternidade e da paternidade. Cada mínimo detalhe passa a contar e a mostrar isso. Até com os filhos dos outros nós nos preocupamos. Sim, tomamos conta. Eu não julguei nem o pai nem a mãe como faria antes de ter filhos. Ahhh seria bem diferente, sem empatia, sem simpatia alguma. Iria dizer que os pais eram permissivos, que a criança não conhece o não... Que atire a primeira pedra quem nunca fez isso!


Eu falaria com certeza. Hoje em dia sei que Alice quando tem sono fica chata. Fica muito chata. Ás vezes beira o insuportável. Adultos também ficam assim, mas nós aprendemos e nos comportar. Sim, comportar de acordo com o que a sociedade espera. Mas a criança não tem esse conhecimento (nem sempre necessário, sejamos honestas) e vai se comportar de acordo com o que ela conhece do mundo.
Alice fica ansiosa, elétrica, ligada no 220. Não para, quer subir e descer de bancos, pular, correr. Fazer alguma coisa para não dormir. Para que o sono não vença. Mas eu aprendi a ver os sinais. A ler as ações dela, assim como os pais da bebê que estava chorando. Tenho certeza que eles perceberam que o prazo de validade dela havia vencido e assim que entrassem no carro ela dormiria. Assim como Alice faz quando está elétrica. Entra no carro e antes da primeira curva, apaga. Cai o disjuntor, literalmente.

E no final, vem aquela velha lição que toda mãe aprende... nunca cuspir para cima. E que sim, você vai conhecer seu filho. Vai saber lidar com a birra, com o choro, com o sono e a fome. Vai aprender cada sinal e cada barulhinho... cada palavra, o que elas dizem e o que não dizem também. Mas aprenda, antes de tudo, que cada mãe é única e assim também cada filho é diferente. Vai aprender também que a gente julga muito antes de ser mãe, mas que depois a gente percebe que o NÃO é uma palavra inexistente no vocabulário da criança. Vai aprender que a gente ama muito e quando o bebê chora isso dói na gente também. Então, sejamos mais empáticas. Vamos tentar perceber que o prazo de validade do filho de outra mãe é diferente. Vamos aprender a ajudar ao invés de julgar. E amar muito. Mesmo quando o prazo de validade da criança está vencido.

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